Janaína **Parte 1

Autora: Janaina Picinati Pereira
Ano de publicação: 2001
Viagem realizada em junho/julho de 2000
*Esta história pode ser publicada em sites na rede, desde que pedida autorização à autora.


PARTE 1

Beverly Hills? YES.... I’m here!

"Bem, tudo começou quando uma amiga minha, a Elaine decidiu ir, com sua irmã Renata, morar nos Estados Unidos. Ela é formada em tradução e intérprete e uma vez ela foi fazer um curso de um mês em Los Angeles.
Voltou amando os States e me disse: "Jana, decidi! Vou voltar pra lá, para morar! Aproveite, é a sua chance de conhecer a tão sonhada Beverly Hills! Irei daqui a um ano. Portanto, vá mexendo seus pauzinhos!" (Isto era setembro de 99)
Bom, eu namorava há cinco anos, mas eu e meu namorado estavamos separados! Ele sempre soube que meu sonho era ir para os States e no fundo, me dava a  maior força!
Quando a Elaine me falou, eu já começei a pensar e decidi: - vou
guardar dinheiro e nas minhas próximas férias, vou pra lá!!!!

Venho de uma família de classe média. Meus pais (jornalista e professora) nunca deixaram faltar nada para mim e para meu irmão mas não teriam dinheiro pra me bancar uma viagem!
Nem eles próprios nunca vão viajar. Então eu sabia que, se eu quisesse, teria que guardar dinheiro e ir num esquema "pobre" de viagem: teria lugar pra ficar, pois afinal minhas amigas estavam morando lá. Teria que pagar a passagem e uma grana para comer e comprar coisas pra mim!

No carnaval do ano seguinte (2000), voltei com meu namorado. Contei a ele minha decisão e gostaria muito que ele fosse comigo. Ele me deu o maior apoio, mas não tinha dinheiro pra isso naquele momento.

Durante o primeiro semestre de 2000 então, tirei passaporte, corri atrás de dólares, economizei, comprei passagens, etc. Em 26 de junho estaria embarcando rumo à Los Angeles.
Durante este tempo, conversava todos os dias com minhas amigas pela internet e a situação delas, naquele momento era: a Elaine estava trabalhando numa loja de roupas masculinas em Hollywood (nossa achei chiquetérrimo, até conhecer de perto a verdadeira calçada da fama...). Estava namorando um brasileiro que mora lá há 18 anos!

A Renata não estava trabalhando, pois não sabia falar inglês e estava penando para aprender, pois mesmo a minha amiga Elaine, que dava aulas de inglês para executivos aqui no Brasil, sentia dificuldades logo que chegaram lá...

Elas alugaram um apartamento logo que chegaram, em Koreantown, perto do centro de Los Angeles. Mas, a área era perigosa, elas tinham tido uma expêriencia nada agradável, de um cara rondando o apartamento e decidiram sair logo de lá.

Como não tinham em vista outro apartamento, elas ficariam num barco, na Marina Del Rey.
(Esta mesmo! Aquela onde o pai da Donna tinha um barco, onde o Noah morou por tempos, e onde o pai do Dylan também comprou um barco certa vez e onde ele morreu....)
Este barco era de um brasileiro (Nando), amigo do Álvaro (namorado da Elaine).
Ficariam provisoriamente no barco, até acharem um outro ap. Elas me prometeram que quando eu estivesse lá, iríamos velejar até as Ilhas Catalinas, etc... Já começei a gostar, antes de ir...Mas não criei muita expectativa em cima de nada do que me falaram, pois se não rolasse, não ficaria tão decepcionada.

Chegou o dia da viagem. A minha intenção era, durante a minha estada nos States (quatro semanas), estudar naquelas escolas públicas para adultos estrangeiros, para aproveitar e treinar meu inglês, totalmente macarrônico, já que a Renata estava fazendo, daí iríamos juntas...Talvez isso era a coisa mais certa, que eu sabia que iria acontecer, pois eu estava ciente de que elas estavam com a vida lá e não ficaria muito na dependência delas para conhecer os lugares....

No aeroporto foram meus pais, o Renato (meu amorzinho), um amigo dele e uma amiga da minha mãe. Meus pais se sentiram orgulhosos de mim, pois afinal estava indo pelos meus próprios méritos e apesar de me apoiar em tudo, o Renato estava triste e até chorou...

A sensação de estar indo sozinha, para um país diferente era apavorante, mas ao mesmo tempo, excitante... sei lá, eu me sentia independente, importante, não dava para descrever.

Eu saí daqui num sábado, dia 24 de junho à noite. (O vôo atrasou 3 horas e fez uma escala que não estava prevista em Porto Rico (menudo, Ricky Martin?) Yes!!! Já posso dizer que um dia estive no território dos menudos... coisas da infância...)

Havia uma conexão, tanto na ida, quanto na volta, em Dallas (ai que chique!).
Daí foi a "pior" parte: passar pela imigração e alfândega! Fazia como dizia o figurino: -"siga o fluxo e na dúvida, pergunte a qualquer pessoa, mesmo que ela nao entenda muito bem ou faça cara de quem não gostou!"

Então, lá fui eu para a fila. Chegou a minha vez e as perguntas básicas vieram. No começo estava achando até fácil e meu inglês não estava tão enferrujado assim. Até que a partir da quinta ou sexta pergunta eu ja não entendi e o cara da receita já começou a torcer o nariz, do tipo: -ah que saco estes estrangeiros querendo falar inglês!! Daí eu começei a ficar nervosa e minhas mãos tremiam...
Então veio a pergunta fatídica: -"quanto tempo você vai ficar?" Daí eu: -"um mês!" - "Um mês???? você não trabalha no Brasil????" "- Trabalho, mas estou de férias!" "- Nossa no Brasil vocês ficam 30 dias de férias????? Você nao acha que é muito tempo não?????"
Depois eu vim descobrir que nos States eles nunca tiram 30 dias de férias! Eles tem férias picadas, e se você não quiser trabalhar e avisar: "-olha, vou ficar 20 dias fora, preciso fazer... blá, blá, blá..... você pode, mas não é remunerado...." engraçado né????

Voltando para minha viagem! A conexão foi tranquila, peguei o vôo para LA e mais algumas horas de vôo... ah, e prestando atenção pra não se perder nos horários pois além do horário de verão que lá também rola... cada lugar era um horário diferente! Na conexão eu conheci uma brasileira, que estava indo visitar sua mãe que acabara de se casar e foi morar nos States. O nome desta garota era Gaia e se ela gostasse de lá, provavelmente iria morar com a mãe! Foi ela e a mãe que me "salvaram" com umas moedinhas, pra eu ligar pra Elaine, assim que cheguei na ensolarada Los Angeles, pois depois de tantas horas de vôo e de um mundo novo a ser explorado, eu estava completamente LOST!!!!!!!


(Foto no aeroporto de São Paulo)


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